Bem-Vindo ao Estação 018!


Seja bem-vindo ao "Estação 018"! Um blog pouco reticente, mesmo cheio destas reticências que compõem a existência. Que tenta ser poético, literário e revolucionário, mas acaba se rendendo à calmaria de alguns bons versos. Bem-vindo a uma faceta artística do caos... Embarque sem medo e com ânsia: "Estação 018, onde se fala da vida..."

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Último Pedido


Até aceito teu adeus, mas não agora.
Sem um último toque 
que me gere arrepio.

Dá-me, pois, um último pedido
antes de minha morte
- pois para mim é isso que significa tua ida:
morte.

Deixa-me puxar-te pela mão e 
fazer-te feliz por mais uma noite.
Deixa que meus lábios possam 
apertar os teus suavemente.

Seria meu último suspiro válido.

Façamos daquela cama um altar
e que eu seja o sacrifício
- que lá eu acabe todas as minhas
forças e vontades.

Voltemos aos nossos grunhidos 
ininteligíveis por mais umas horas
- ou que voltemos ao silêncio mais primitivo.

Depois de deixar a felicidade
transformar-se em gotas 
que brotam do toque de duas peles,
deixa-me dormir - num sono pesado 
como a morte.

Enquanto durmo - e sonho que
fizemos tudo de novo -, podes arrumar tuas
coisas, tuas roupas, teus brincos
e podes deixar teu perfume impregnado 
nas paredes da sala, podes deixar 
uma carta de amor hipócrita e insincera
debaixo do vaso de flores ou em cima
do sofá.

Então, tentarei um novo 
motivo que me prove que a
vida vale a pena. Quanto a ti,
morreste para mim.

Raul Cézar de Albuquerque
28/09/2012

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